Aprendeu desde jovem a interpretar os motivos figurativos de seu entorno como se fossem signos vivos, autônomos, com universo próprio. Esses signos não remetem a uma imagem como os outros podem vê-la.
Seriam mais próximos de um jogo imaginativo resultantes de sonhos distorcidos, estilizados, como um eco subjetivo da forma que lhes deu origem. O resultado situa-se entre a vaga referência a uma realidade convertida em mágica e a mais transbordante fantasia nascida no inconsciente.
É na Paris dos anos 1920 que Miró amadurece como artista. Nessa época, ele desenvolve as bases do estilo que o tornaria conhecido. Um exemplo dessa produção é o Carnaval de Arlequim (1924-1925). Nessa tela, a miséria do mundo que o rodeia se transforma como que por encanto em outro universo de seres vivos e coisas novas, maravilhosas, que flutuam por um espaço quase renascentista, que traz em si sementes de sua obra posterior.
Miró aproxima-se da vertente mais automática do surrealismo por meio dessas formas orgânicas com vida própria que se movem com total liberdade pelo quadro, Ou através de elaborações abstratas de motivos concretos, com a lua e as estrelas ou homem e mulheres. Seus quadros parecem obedecer uma criação sem controle, como a expressão plástica de um menino ou de um homem de uma tribo primitiva, que se alucina com que o perturba. Ele associa essa criação à suas obsessões e, de vez em quando, deixa-se levar por ela.

Fontes:
encilclopédia
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